Os dias que me custam
Acordo tarde, não me levanto da cama, ronho no telemóvel. Demasiado tarde para as aulas, sem almoço preparado. Esperguiço-me nesta ansiedade e deixo que tome conta. Sinto um conforto desconfortável no sentir mal e fraco. Existe dentro de mim uma necessidade de provar o falhanço, de o saborear lentamente. O dia é meu, mas deixo que escorregue, lentamente, ao ritmo de reels que não dizem nada.
Mais hora menos hora, amanhã é outro dia, daqui a umas horas são outras horas em que farei o que faria. Excepto que deitado, sem adormecer, castigo-me pelo que não fiz para que amanhã possa repetir a penitência do que não farei também.