Por 39 koroas hipoteco a vida

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Para evitar fazer um Problem set de Matemática 2 decidi por bem começar o meu passatempo de eleição no adio de tarefas intelectuais: Wikipédia. Porquê? Primeiramente porque gosto de história, geografia, coisas à toa, etc, segundo, porque sendo algo que se pode considerar conhecimento, é mais fácil explicar, interior e exteriormente, o adiamento da verdadeira tarefa.

Nessa busca tão profunda que fiz acabei por me encontrar no 25 de abril e derivados o que, diga-se, acontece bastante. Desta vez com um nome: Capitão Maltez. Em pesquisa encontrei um BlogPost (outros tempos) português sobre a personagem, escrito por uma vítima de bastonodas do cujo dito. Depois da Revolução, o autor encontrou o capitão numa fila para comprar bilhetes da TAP (outros tempos), o que reavivou memórias de (outros tempos).

Também a mim me reavivou memórias, mas (muito) menos dramáticas. Lembro-me de a minha avó me chamar maltez (maltês?) quando era mais novo. Mas não me lembro da circunstância específica. Por ser matreiro (gato maltês?), por ser bruto (capitão maltez?)? Depois de uma busca na palavra, não parece que o adjectivo venha do bastonário. Porquê, caríssimo, suspeita você dessa ligação? Acaso é linguísta? Não. Mas ficarão boquiabertos com o meu futuro artigo sobre "trolitada". No próximo episódio.

Mas, regressando ao Bastonário. Uma referência que lhe fazem, é o protesto de certos indivíduos contra a pensão que o Estado Português lhe restitui, durante, surpresa, o segundo governo de Cavaco Silva. Um desses indivíduos é Paulo Varela Gomes. Claro que irei ler o artigo da wikipédia sobre o mesmo. O que fiz. Algo me saltou à vista, no fim da página. Morreu de cancro em 2016, e em 2015 publica um pequeno texto: "Morrer é mais difícil do que parece", sobre a vida, e morte, depois do diagnóstico.

Li, e chorei. Lembrei-me do meu pai. Do que passou, passa, e do tanto que não sei. Está mais perto de 20 do que 10 os anos que carrega um corpo que o devora. Um corpo que foi à faca, ao rádio e ao químico. Uma mente que as passou, tudo e todos. E eu que sei? Sentado no escritório a uma sexta feira, sozinho no escuro do inverno.

#divagacoes